domingo, agosto 18, 2013

CONTO "A NOVA CALIFÓRNIA" LIMA BARRETO

Ninguém sabia donde viera aquele homem. O agente do Correio pudera apenas informar que acudia ao nome de Raimundo Flamel, pois assim era subscrita a correspondência que recebia. E era grande. Quase diariamente, o carteiro lá ia a um dos extremos da cidade, onde morava o desconhecido, sopesando um maço alentado de cartas vindas do mundo inteiro, grossas revistas em línguas arrevesadas, livros, pacotes...
Quando Fabrício, o pedreiro, voltou de um serviço em casa do novo habitante, todos na venda perguntaram-lhe que trabalho lhe tinha sido determinado.
— Vou fazer um forno, disse o preto, na sala de jantar.
Imaginem o espanto da pequena cidade de Tubiacanga, ao saber de tão extravagante construção: um forno na sala de jantar! E, pelos dias seguintes, Fabrício pôde contar que vira balões de vidros, facas sem corte, copos como os da farmácia — um rol de coisas esquisitas a se mostrarem pelas mesas e prateleiras como utensílios de uma bateria de cozinha em que o próprio diabo cozinhasse.
O alarme se fez na vila. Para uns, os mais adiantados, era um fabricante de moeda falsa; para outros, os crentes e simples, um tipo que tinha parte com o tinhoso.
Chico da Tirana, o carreiro, quando passava em frente da casa do homem misterioso, ao lado do carro a chiar, e olhava a chaminé da sala de jantar a fumegar, não deixava de persignar-se e rezar um "credo" em voz baixa; e, não fora a intervenção do farmacêutico, o subdelegado teria ido dar um cerco à casa daquele indivíduo suspeito, que inquietava a imaginação de toda uma população.
Tomando em consideração as informações de Fabrício, o boticário Bastos concluirá que o desconhecido devia ser um sábio, um grande químico, refugiado ali para mais sossegadamente levar avante os seus trabalhos científicos.
Homem formado e respeitado na cidade, vereador, médico também, porque o doutor Jerônimo não gostava de receitar e se fizera sócio da farmácia para mais em paz viver, a opinião de Bastos levou tranquilidade a todas as consciências e fez com que a população cercasse de uma silenciosa admiração a pessoa do grande químico, que viera habitar a cidade.
De tarde, se o viam a passear pela margem do Tubiacanga, sentando-se aqui e ali, olhando perdidamente as águas claras do riacho, cismando diante da penetrante melancolia do crespúsculo, todos se- descobriam e não era raro que às "boas noites" acrescentassem "doutor". E tocava muito o coração daquela gente a profunda simpatia com que ele tratava as crianças, a maneira pela qual as contemplava, parecendo apiedar-se de que elas tivessem nascido para sofrer e morrer.
Na verdade, era de ver-se, sob a doçura suave da tarde, a bondade de Messias com que ele afagava aquelas crianças pretas, tão lisas de pele e tão tristes de modos, mergulhadas no seu cativeiro moral, e também as brancas, de pele baça, gretada e áspera, vivendo amparadas na necessária caquexia dos trópicos.
Por vezes, vinha-lhe vontade de pensar qual a razão de ter Bernardin de Saint-Pierre gasto toda a sua ternura com Paulo e Virgínia e esquecer-se dos escravos que os cercavam...
Em poucos dias a admiração pelo sábio era quase geral, e não o era unicamente porque havia alguém que não tinha em grande conta os méritos do novo habitante.
Capitão Pelino, mestre-escola e redator da Gazeta de Tubiacanga, órgão local e filiado ao partido situacionista, embirrava com o sábio. "Vocês hão de ver, dizia ele, quem é esse tipo... Um caloteiro, um aventureiro ou talvez um ladrão fugido do Rio."
A sua opinião em nada se baseava, ou antes, baseava-se no seu oculto despeito vendo na terra um rival para a fama de sábio de que gozava. Não que Pelino fosse químico, longe disso; mas era sábio, era gramático. Ninguém escrevia em Tubiacanga que não levasse bordoada do Capitão Pelino, e mesmo quando se falava em algum homem notável lá no Rio, ele não deixava de dizer: "Não há dúvida! O homem tem talento, mas escreve: 'um outro', 'de resto'..." E contraía os lábios como se tivesse engolido alguma cousa amarga.
Toda a vila de Tubiacanga acostumou-se a respeitar o solene Pelino, que corrigia e emendava as maiores glórias nacionais. Um sábio...
Ao entardecer, depois de ler um pouco o Sotero, o Candido de Figueiredo ou o Castro Lopes, e de ter passado mais uma vez a tintura nos cabelos, o velho mestre-escola saía vagarosamente de casa, muito abotoado no seu paletó de brim mineiro, e encaminhava-se para a botica do Bastos a dar dous dedos de prosa. Conversar é um modo de dizer, porque era Pelino avaro de palavras, limitando-se tão-somente a ouvir. Quando, porém, dos lábios de alguém escapava a menor incorreção de linguagem, intervinha e emendava. "Eu asseguro, dizia o agente do Correio, que..." Por aí, o mestre-escola intervinha com mansuetude evangélica: "Não diga 'asseguro' Senhor Bernardes; em português é garanto."
E a conversa continuava depois da emenda, para ser de novo interrompida por uma outra. Por essas e outras, houve muitos palestradores que se afastaram, mas Pelino, indiferente, seguro dos seus deveres, continuava o seu apostolado de vernaculismo. A chegada do sábio veio distraí-lo um pouco da sua missão. Todo o seu esforço voltava-se agora para combater aquele rival, que surgia tão inopinadamente.
Foram vãs as suas palavras e a sua eloquência: não só Raimundo Flamel pagava em dia as suas contas, como era generoso—pai da pobreza—e o farmacêutico vira numa revista de específicos seu nome citado como químico de valor.
Havia já anos que o químico vivia em Tubiacanga, quando, uma bela manhã, Bastos o viu entrar pela botica adentro. O prazer do farmacêutico foi imenso. O sábio não se dignara até aí visitar fosse quem fosse e, certo dia, quando o sacristão Orestes ousou penetrar em sua casa, pedindo-lhe uma esmola para a futura festa de Nossa Senhora da Conceição, foi com visível enfado que ele o recebeu e atendeu.
Vendo-o, Bastos saiu de detrás do balcão, correu a recebê-lo com a mais perfeita demonstração de quem sabia com quem tratava e foi quase em uma exclamação que disse:
—Doutor, seja bem-vindo.
O sábio pareceu não se surpreender nem com a demonstração de respeito do farmacêutico, nem com o tratamento universitário. Docemente, olhou um instante a armação cheia de medicamentos e respondeu:
— Desejava falar-lhe em particular, Senhor Bastos.
O espanto do farmacêutico foi grande. Em que poderia ele ser útil ao homem, cujo nome corria mundo e de quem os jornais falavam com tão acendrado respeito? Seria dinheiro? Talvez... Um atraso no pagamento das rendas, quem sabe? E foi conduzindo o químico para o interior da casa, sob o olhar espantado do aprendiz que, por um momento, deixou a "mão" descansar no gral, onde macerava uma tisana qualquer.
Por fim, achou ao fundo, bem no fundo, o quartinho que lhe servia para exames médicos mais detidos ou para as pequenas operações, porque Bastos também operava. Sentaram-se e Flamel não tardou a expor:
— Como o senhor deve saber, dedico-me à química, tenho mesmo um nome respeitado no mundo sábio...
— Sei perfeitamente, doutor, mesmo tenho disso informado, aqui, aos meus amigos.
— Obrigado. Pois bem: fiz uma grande descoberta, extraordinária. . .
Envergonhado com o seu entusiasmo, o sábio fez uma pausa e depois continuou:
— Uma descoberta... Mas não me convém, por ora, comunicar ao mundo sábio, compreende?
— Perfeitamente.
— Por isso precisava de três pessoas conceituadas que fossem testemunhas de uma experiência dela e me dessem um atestado em forma, para resguardar a prioridade da minha invenção...
O senhor sabe: há acontecimentos imprevistos e...
— Certamente! Não há dúvida!
— Imagine o senhor que se trata de fazer ouro...
— Como? O quê? fez Bastos, arregalando os olhos.
— Sim! Ouro! disse, com firmeza, Flamel.
— Como?
— O senhor saberá, disse o químico secamente. A questão do momento são as pessoas que devem assistir à experiência, não acha?
— Com certeza, é preciso que os seus direitos fiquem resguardados, porquanto...
— Uma delas, interrompeu o sábio, é o senhor; as outras duas, o Senhor Bastos fará o favor de indicar-me.
O boticário esteve um instante a pensar, passando em revista os seus conhecimentos e, ao fim de uns três minutos, perguntou:
— O Coronel Bentes lhe serve? Conhece?
— Não. O senhor sabe que não me dou com ninguém aqui.
— Posso garantir-lhe que é homem sério, rico e muito discreto.
— E religioso? Faço-lhe esta pergunta, acrescentou Flamel logo, porque temos que lidar com ossos de defunto e só estes servem...
— Qual! E quase ateu...
— Bem! Aceito. E o outro?
Bastos voltou a pensar e dessa vez demorou-se um pouco mais consultando a sua memória...
Por fim, falou:
— Será o Tenente Carvalhais, o coletor, conhece?
— Como já lhe disse...
— E verdade. E homem de confiança, sério, mas...
— Que é que tem?
— E maçom.
— Melhor.
— E quando é?
— Domingo. Domingo, os três irão lá em casa assistir à experiência e espero que não me recusarão as suas firmas para autenticar a minha descoberta.
— Está tratado.
Domingo, conforme prometeram, as três pessoas respeitáveis de Tubiacanga foram à casa de Flamel, e, dias depois, misteriosamente, ele desaparecia sem deixar vestígios ou explicação para o seu desaparecimento.
Tubiacanga era uma pequena cidade de três ou quatro mil habitantes, muito pacífica, em cuja estação, de onde em onde, os expressos davam a honra de parar. Há cinco anos não se registrava nela um furto ou roubo. As portas e janelas só eram usadas... porque o Rio as usava.
O único crime notado em seu pobre cadastro fora um assassinato por ocasião das eleições municipais; mas, atendendo que o assassino era do partido do governo, e a vítima da oposição, o acontecimento em nada alterou os hábitos da cidade, continuando ela a exportar o seu café e a mirar as suas casas baixas e acanhadas nas escassas águas do pequeno rio que a batizara.
Mas, qual não foi a surpresa dos seus habitantes quando se veio a verificar nela um dos repugnantes crimes de que se tem memória! Não se tratava de um esquartejamento ou parricídio; não era o assassinato de uma família inteira ou um assalto à coletoria; era cousa pior, sacrílega aos olhos de todas as religiões e consciências: violavam-se as sepulturas do "Sossego", do seu cemitério, do seu campo-santo.
Em começo, o coveiro julgou que fossem cães, mas, revistando bem o muro, não encontrou senão pequenos buracos. Fechou-os; foi inútil. No dia seguinte, um jazigo perpétuo arrombado e os ossos saqueados; no outro, um carneiro e uma sepultura rasa. Era gente ou demônio. O coveiro não quis mais continuar as pesquisas por sua conta, foi ao subdelegado e a notícia espalhou-se pela cidade.
A indignação na cidade tomou todas as feições e todas as vontades. A religião da morte precede todas e certamente será a última a morrer nas consciências. Contra a prolanação, clamaram os seis presbiterianos do lugar—os bíblicos, como lhes chama o povo; clamava o Agrimensol Nicolau, antigo cadete, e positivista do rito Teixeira Mendes; clamava o Major Camanho, presidente da Loja Nova Esperança; clamavam o turco Miguel Abudala, negociante de armarinho, e o cético Belmiro, antigo estudante, que vivia ao deus-dará, bebericando parati nas tavernas. A própria filha do engenheiro residente da estrada de ferro, que vivia desdenhando aquele lugarejo, sem notar sequer os suspiros dos apaixonados locais, sempre esperando que o expresso trouxesse um príncipe a desposá-la—, a linda e desdenhosa Cora não pôde deixar de compartilhar da indignação e do horror que tal ato provocara em todos do lugarejo. Que tinha ela com o túmulo de antigos escravos e humildes roceiros? Em que podia interessar aos seus lindos olhos pardos o destino de tão humildes ossos? Porventura o furto deles perturbaria o seu sonho de fazer radiar a beleza de sua boca, dos seus olhos e do seu busto nas calçadas do Rio?
Decerto, não; mas era a Morte, a Morte implacável e onipotente, de que ela também se sentia escrava, e que não deixaria um dia de levar a sua linda caveirinha para a paz eterna do cemitério. Aí Cora queria os seus ossos sossegados, quietos e comodamente descansando num caixão bem feito e num túmulo seguro, depois de ter sido a sua carne encanto e prazer dos vermes...
O mais indignado, porém, era Pelino. O professor deitara artigo de fundo, imprecando, bramindo, gritando: "Na estória do crime, dizia ele, já bastante rica de fatos repugnantes, como sejam: o esquartejamento de Maria de Macedo, o estrangulamento dos irmãos Fuoco, não se registra um que o seja tanto como o saque às sepulturas do 'Sossego'. " E a vila vivia em sobressalto. Nas faces não se lia mais paz; os negócios estavam paralisados; os namoros suspensos. Dias e dias por sobre as casas pairavam nuvens negras e, à noite, todos ouviam ruídos, gemidos, barulhos sobrenaturais... Parecia que os mortos pediam vingança...
O saque, porém, continuava. Toda noite eram duas, três sepulturas abertas e esvaziadas de seu fúnebre conteúdo. Toda a população resolveu ir em massa guardar os ossos dos seus maiores. Foram cedo, mas, em breve, cedendo à fadiga e ao sono, retirou-se um, depois outro e, pela madrugada, já não havia nenhum vigilante. Ainda nesse dia o coveiro verificou que duas sepulturas tinham sido abertas e os ossos levados para destino misterioso.
Organizaram então uma guarda. Dez homens decididos juraram perante o subdelegado vigiar durante a noite a mansão dos mortos.
Nada houve de anormal na primeira noite, na segunda e na terceira; mas, na quarta, quando os vigias já se dispunham a cochilar, um deles julgou lobrigar um vulto esgueirando-se por entre a quadra dos carneiros. Correram e conseguiram apanhar dous dos vampiros. A raiva e a indignação, até aí sopitadas no animo deles, não se contiveram mais e deram tanta bordoada nos macabros ladrões, que os deixaram estendidos como mortos.
A notícia correu logo de casa em casa e, quando, de manhã, se tratou de estabelecer a identidade dos dous malfeitores, foi diante da população inteira que foram neles reconhecidos o Coletor Carvalhais e o Coronel Bentes, rico fazendeiro e presidente da Câmara. Este último ainda vivia e, a perguntas repetidas que lhe fizeram, pôde dizer que juntava os ossos para fazer ouro e o companheiro que fugira era o farmacêutico.
Houve espanto e houve esperanças. Como fazer ouro com ossos? Seria possível? Mas aquele homem rico, respeitado, como desceria ao papel de ladrão de mortos se a cousa não fosse verdade!
Se fosse possível fazer, se daqueles míseros despojos fúnebres se pudesse fazer alguns contos de réis, como não seria bom para todos eles!
O carteiro, cujo velho sonho era a formatura do filho, viu logo ali meios de consegui-la.
Castrioto, o escrivão do juiz de paz, que no ano passado conseguiu comprar uma casa, mas ainda não a pudera cercar, pensou no muro, que lhe devia proteger a horta e a criação. Pelos olhos do sitiante Marques, que andava desde anos atrapalhado para arranjar um pasto, pensou logo no prado verde do Costa, onde os seus bois engordariam e ganhariam forças...
Às necessidades de cada um, aqueles ossos que eram ouro viriam atender, satisfazer e felicitá-los; e aqueles dous ou três milhares de pessoas, homens, crianças, mulheres, moços e velhos, como se fossem uma só pessoa, correram à casa do farmacêutico.
A custo, o subdelegado pôde impedir que varejassem a botica e conseguir que ficassem na praça, à espera do homem que tinha o segredo de todo um Potosi. Ele não tardou a aparecer. Trepado a uma cadeira, tendo na mão uma pequena barra de ouro que reluzia ao forte sol da manhã, Bastos pediu graça, prometendo que ensinaria o segredo, se lhe poupassem a vida. "Queremos já sabê-lo," gritaram.
Ele então explicou que era preciso redigir a receita, indicar a marcha do processo, os reativos—trabalho longo que só poderia ser entregue impresso no dia seguinte. Houve um murmúrio, alguns chegaram a gritar, mas o subdelegado falou e responsabilizou-se pelo resultado.
Docilmente, com aquela doçura particular às multidões furiosas, cada qual se encaminhou para casa, tendo na cabeça um único pensamento: arranjar imediatamente a maior porção de ossos de defunto que pudesse.
O sucesso chegou à casa do engenheiro residente da estrada de ferro. Ao jantar, não se falou em outra cousa. O doutor concatenou o que ainda sabia do seu curso, e afirmou que era impossível. Isto era alquimia, cousa morta: ouro é ouro, corpo simples, e osso é osso, um composto, fosfato de cal.
Pensar que se podia fazer de uma cousa outra era "besteira". Cora aproveitou o caso para rir-se petropolimente da crueldade daqueles botocudos; mas sua mãe, Dona Emilia, tinha fé que a cousa era possível.
À noite, porém, o doutor percebendo que a mulher dormia, saltou a janela e correu em direitura ao cemitério; Cora, de pés nus, com as chinelas nas mãos, procurou a criada para irem juntas à colheita de ossos. Não a encontrou, foi sozinha; e Dona Emília, vendo-se só, adivinhou o passeio e lá foi também. E assim aconteceu na cidade inteira. O pai, sem dizer nada ao filho, saía; a mulher, julgando enganar o marido, saía; os filhos, as filhas, os criados—toda a população, sob a luz das estrelas assombradas, correu ao satânico rendez-vous no "Sossego". E ninguém faltou. O mais rico e o mais pobre lá estavam. Era o turco Miguel, era o professor Pelino, o doutor Jerônimo, o Major Camanho, Cora, a linda e deslumbrante Cora, com os seus lindos dedos de alabastro, revolvia a sânie das sepulturas, arrancava as carnes, ainda podres agarradas tenazmente aos ossos e deles enchia o seu regaço até ali inútil. Era o dote que colhia e as suas narinas, que se abriam em asas rosadas e quase transparentes, não sentiam o fétido dos tecidos apodrecidos em lama fedorenta...
A desinteligência não tardou a surgir; os mortos eram poucos e não bastavam para satisfazer a fome dos vivos. Houve facadas, tiros, cachações. Pelino esfaqueou o turco por causa de um fêmur e mesmo entre as famílias questões surgiram. Unicamente, o carteiro e o filho não brigaram. Andaram juntos e de acordo e houve uma vez que o pequeno, uma esperta criança de onze anos, até aconselhou ao pai: "Papai vamos aonde está mamãe; ela era tão gorda..."
De manhã, o cemitério tinha mais mortos do que aqueles que recebera em trinta anos de existencia. Uma única pessoa lá não estivera, não matara nem profanara sepulturas: fora o bêbedo Belmiro.

Entrando numa venda, meio aberta, e nela não encontrando ninguém, enchera uma garrafa de parati e se deixara ficar a beber sentado na margem do Tubiacanga, vendo escorrer mansamente as suas águas sobre o áspero leito de granito—ambos, ele e o rio, indiferentes ao que já viram, mesmo à fuga do farmacêutico, com o seu Potosi e o seu segredo, sob o dossel eterno das estrelas.




terça-feira, junho 11, 2013

Português, uma língua em ascensão impulsionada pelo Brasil

Os mais de 250 milhões de habitantes dos países de fala portuguesa comemoram nesta segunda-feira o dia da língua portuguesa, cuja importância internacional ganha impulso pela boa fase econômica e demográfica do Brasil e de Angola.
A presidente Dilma Rousseff, que está em Lisboa, participa dos atos em homenagem à cultura lusófona, que acontecem no aniversário da morte do pai da literatura portuguesa, o poeta Luís Vaz de Camões (1524-1580), cujo nome batiza o prêmio literário mais importante do mundo lusófono.
Dilma e o chefe de Estado de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, entregarão juntos em Lisboa a 25ª edição do prêmio, vencido no dia 27 de maio, no Brasil, pelo moçambicano Mia Couto (António Emílio Leite Couto).
Portugal, berço da língua lusitana, e o Brasil, com quase 200 milhões de lusófonos, têm cooperado em muitas iniciativas para projetar ainda mais um idioma em franca expansão.
CONTINUE LENDO
Site: Terra.com.br

segunda-feira, abril 29, 2013

DOCUMENTÁRIO DO BAIRRO LIBERDADE - CACOAL-RO


O Documentário "Bairro Liberdade - Imagens e Relatos" é um trabalho realizado pelo professor Elisandro Felix de Lima, acadêmicos da UNESC, e alunos do 9° ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Maria Aurora do Nascimento. O trabalho conta um pouco da história do Bairro Liberdade, localizado na Cidade de Cacoal, estado de Rondônia. O Bairro foi o primeiro da cidade e o documentário mostra através de imagens e depoimentos de antigos moradores as vantagens e desvantagens desta formação.

Postagem: pro. Elisandro Félix de Lima

quinta-feira, abril 25, 2013

A GERAÇÃO SEM PALAVRAS



Pensadores criteriosos e mentes lúcidas têm se preocupado com o problema; que não é apenas nacional, mas de todo o mundo ocidental: o desgaste da palavra, a dificuldade crescente da dialogação, o emprego abusivo de alguns símbolos primários, que acabaram por transformar a Comunicação numa verdadeira mímica ¾ não se fala mais, acena-se, trocam-se sinais estereotipados e lacônicos ¾ é uma geração sem palavras.

A comunicação é uma arma de dois gumes. Quando se procura a comunicação direta, rápida e clara, perdem-se sutilezas do pensamento. O demasiado preocupar com a Comunicação  superficializa os conhecimentos; restam profundezas, tesouros para sempre perdidos.

A entropia (desordem) é bem um fenômeno característico da era da cibernética – a Comunicação alarga horizontes rasos, generaliza a informação e com isto perde-se parte do mistério, encanto da vida. Se outros caminhos não forem trilhados, daqui a duzentos anos, nada no Universo será novidade para o homem (apesar de as grandes verdades continuarem ainda mais inacessíveis) e ele, conhecedor de “tudo”, morrerá provavelmente de tédio...

O homem continuará seu caminho tecnocrático glorioso, voltou à Lua, tentará alcançar outros planetas, no entanto, que ele não se robotize, que resguarde as sutilezas espirituais.

Li, numa reportagem, que na França lê-se muito pouco atualmente. O que dizer do Brasil?! Há pelo mundo gurus preocupados com a decrescente espiritualidade e pregam a meditação diária. Há outro antídoto contra a coisificação do nosso século: a literatura.

Cada época tem sua carência, seu ponto nevrálgico (defeito). O nosso século peca pela massificação, pelo materialismo, pela inversão de valores. As catástrofes se arrastam, novelas sangrentas, mal dirigidas, com seus mil figurantes desarvorados, com inesperados papéis trágicos nunca perdidos. Os jornais nos olham sangrentos e cansados, nas suas manchetes repetidas.

Num filme de ficção científica, o Grande Poder manda destruir os livros de literatura; era já chegada a época da Máquina. Pensar, optar, sensibilizar-se? Pecados, vícios proibidos. Alguns homens, os últimos que ainda reagiam, decoravam então as obras imortais, antes de destruí-las; viravam estas obras, transubstanciando-se nelas, para perpetuá-las.

Hoje já chegamos a uma época em que os romancistas e os poetas são olhados como criaturas obsoletas, de priscas eras. No entanto, só eles, só a boa literatura poderá evitar o trágico final desta mecanização: o homem criando mil milhões, virando máquina azeitada que age corretamente ao apertar o botão – estímulo adequado. A arte, e dentro dela, a Literatura, é talvez a mais poderosa arma para evitar o esclerosamento, para manter o homem vivo, sangue, nervos, sensibilidade; para fazê-lo sofrer semelhante; ela que vivifica a cada instante o fato de realmente sermos irmãos do mesmo barro.

A moléstia é real, os sintomas são claros, a síndrome está completa: o homem continua cada vez mais incomunicável (porque deturpou o termo comunicação), incompreendido e/ou incompreensível, porque voltou-se para dentro e se autoanalisa continuamente, mas não troca com os outros estas experiências individuais; está “desaprendendo” a falar, usando somente o linguajar básico, essencial e os gestos. Não lê, não se enriquece, não se transmite. Quem não lê, não escreve. Assim, o homem do século XX, bicho de concha, criatura intransitiva, se enfurna dentro de si próprio, ilhando-se cada vez mais, mimado pelas duas doenças do nosso tempo: individualismo e solidão.

FONTE: LANES, Ely Vieitez. Laboratório de Literatura. São Paulo: Estrutural,1978.

segunda-feira, março 25, 2013

A FLOR DO MEU JARDIM



A flor que eu queria ver
A flor que todo mundo queria ter
A mais bela flor de jardim
É a mais cheirosa que jasmim

Ela não é mal cuidada
Só é muito delicada
Ela não vive só em jardim
Mas sim, vive dentro de mim

Ela não feriu ninguém
Mas mexe com o sentimento de alguém
Essa flor ninguém terá
Pois, só eu a cultivo e assim será

Essa flor é tudo pra mim
Que cuido como se estivesse aqui
Ela tem a cor da paixão
A doçura e o sabor da sedução


Este poema foi produzido no ano de 2012, pelo aluno Elielton Feitosa, 9º ano.

domingo, março 03, 2013

JOGOS EDUCATIVOS

Descrição do Jogo: Da TV para a tela do seu computador o famoso jogo de roda a roda apresentado pelo Silvio Santos no SBT agora também poderá ser jogado online. O objetivo do jogo é rodar a roda e logo em seguida escolher uma letra. Faça isso várias vezes até conseguir descobrir qual a palavra secreta. Como jogar: Use o mouse para jogar. Tamanho do Jogo: 259 KB



Descrição do Jogo: Gosta de jogos de caça palavras? Este é o melhor jogo de caça palavras da internet é esse mais novo joguinho da turma das princesas do Mar. Para quem gosta de desafios esse jogo de caça palavras das princesas é ideal para testar sua habilidade para conseguir achar todas as palavras que estão no cenário do jogo.
Como jogar: Use o mouse para jogar.
Tamanho do Jogo: 34,4 KB

Clique aqui ou na imagem abaixo para iniciar o jogo.


Jogo dos advérbios: este jogo tem por objetivo testar seus conhecimentos sobre gramática. Clique, segure e arraste a figura e solte sobre classificações de advérbios e solte sobre a palavra a ser classificada. Após, clique no botão "conferir" para saber se você acertou.
Clique aqui ou na imagem abaixo para iniciar o jogo.

 

LABORATÓRIO DAS SÍLABAS
Você já conhece as sílabas: BA BE BI BO BU?
Não? Venha fazer grandes descobertas no Laboratório das Sílabas.
Diversão garantida na companhia dos monstrinhos mais divertidos da internet!
Jogo para alfabetização com os sons das sílabas.
Dica para o educador

Atividade lúdica que prende a atenção das crianças por meio de personagens coloridos e animações engraçadas.


BRUXA DOS ACENTOS
Olá pequeno aventureiro, precisamos da sua ajuda para enfrentar a Bruxa dos Acentos.
A bruxa rouba os acentos das palavras, porém ela não é muito esperta, pois rouba o til pensando que é um acento.
Devolva os acentos para as palavras, e depois derrube a bruxa da vassoura para que ela não saia à caça novamente!
Jogo educativo de português sobre acentuação.

Dica para o educador

Este jogo irá prender a atenção dos alunos e testar seus conhecimentos sobre acentuação.
 Clique aqui ou na imagem abaixo para iniciar o jogo.


JOGO DO PLURAL
Escreva o plural das palavras indicadas. Não tenha medo de errar! Após três tentativas, a professora mostrará a resposta certa.
Ao terminar todas as perguntas, você vai conhecer novos plurais, brincando com o jogo da memória.
Jogo educativo de português.

Dica para o educador
Um divertido quiz para testar o conhecimento do aluno e um jogo da memória que ensina novos plurais. Assim é mais gostoso aprender!



Postagem: prof. Elisandro Félix de Lima


quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Plano de aula - Arte rupestre: passado e presente

 O plano de aula abaixo trata-se de uma excelente dica para as aulas de Artes com alunos do ensino fundamental II. Estou utilizando e está dando tudo certo.

Conteúdo
Arte rupestre, conceitos e elementos

Habilidades
Utilizar as linguagens como meio de comunicação e expressão e reconhecer e valorizar o patrimônio histórico e artístico

Tempo estimado Duas aulas

O Brasil é um grande museu natural com um dos mais extensos conjuntos de arte rupestre do mundo. Marcas deixadas em rochas há cerca de 40.000 anos fazem parte deste patrimônio frágil. Segundo reportagem de VEJA, nossas pinturas milenares estão sendo depredadas por pichações, fogueiras e até por cartazes de propaganda eleitoral.

Discuta com a turma os impactos negativos que esse tipo de vandalismo gera, partindo de uma atividade prática com pigmentos naturais e correlacionando arte rupestre com grafite.

Atividades
1ª aula - Inicie a conversa perguntando a respeito dos grafites que encontramos nos muros de muitas das nossas cidades. Por que as pessoas grafitam? O que elas deixam registrado? Afinal, o grafite também é uma forma de expressão que representa a sociedade contemporânea. Infelizmente muitos confundem expressão com vandalismo e grafite com pichação. Os centros urbanos estão repletos de exemplos de intervenções feitas sem autorização em muros, placas e orelhões. Faça uma leitura coletiva de VEJA e mostre que a situação é ainda mais grave quando as assinaturas e marcas são feitas em patrimônios históricos e artísticos.

Explique que o termo arte rupestre vem do latim rupes ou rupis, que quer dizer rochedo ou seja, arte rupestre é aquela realizada em paredes. Os alunos poderão se perguntar: "muros grafitados são arte rupestre?". De certo modo, sim: é arte rupestre contemporânea.(Continue lendo).

Fonte: Revista Nova Escola. Arte Rupestre: passado e presente.

terça-feira, janeiro 08, 2013

SIMULADO DA PROVA BRASIL 2011

A Prova Brasil e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) são avaliações para diagnóstico, em larga escala, desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC). Têm o objetivo de avaliar a qualidade do ensino oferecido pelo sistema educacional brasileiro a partir de testes padronizados e questionários socioeconômicos.

Nos testes aplicados na quarta e oitava séries (quinto e nono anos) do ensino fundamental e na terceira série do ensino médio, os estudantes respondem a itens (questões) de língua portuguesa, com foco em leitura, e matemática, com foco na resolução de problemas. No questionário socioeconômico, os estudantes fornecem informações sobre fatores de contexto que podem estar associados ao desempenho. (Continue lendo).
 

terça-feira, dezembro 04, 2012

O MUNDO DAS LOGOMARCAS FAMOSAS

Logo marca é o mesmo que logotipo, ou logótipo, e refere-se à forma particular como o nome da marca é representado graficamente, pela escolha ou desenho de uma tipografia específica. É um dos elementos gráficos de composição de uma marca, algumas vezes é o único, tornando-se a principal representação gráfica da mesma. A marca Sony ao grafar a sua marca, utiliza apenas a forma particular como o nome da marca é representado graficamente - o logotipo, prescindindo da utilização de qualquer outro elemento gráfico adicional (símbolo) para compor a marca. Ao contrário da SONY, a Wikipédia, utiliza simultaneamente um Símbolo e um Logotipo para grafar a sua marca. “O símbolo e o logotipo são formas de grafar a marca, de torná-la visualmente tangível. É comum as pessoas se referirem ao símbolo como marca. Diz-se freqüentemente: a marca da Coca-Cola ou da Fiat, quando, na verdade, a intenção é a referência ao logotipo da Coca-Cola ou da Fiat. Da mesma maneira, símbolos também são chamados de marcas e também é comum se ouvir referência à marca da Volkswagen ou da Mercedes-Benz, quando a designação correta seria símbolo (...). Logos em grego quer dizer conhecimento, e também palavra. Typos quer dizer padrão e também grafia. Portanto, grafia-da-palavra ou palavra-padrão.” 

Fonte: Ana Luiza Escorel - "O Efeito Multiplicador do Design" - Editora Senac, p. 56. 


Clique aqui e construa sua marca - site free logo services
Clique aqui e construa sua marca - site Logo Creator online
Clique aqui para jogar - acerte as 64 logomarcas e prove que você possui conhecimento
Clique aqui para jogar - acerte as 64 logomarcas (2) e prove que você possui conhecimento

domingo, dezembro 02, 2012

ANÁLISE MORFOLÓGICA X ANÁLISE SINTÁTICA

Quando estudamos a classe gramatical das palavras, nos preocupamos com sua forma e flexão, estamos no campo da morfologia. Quando nos preocupamos em identificar a função que cada uma das palavras exerce na oração em que aparece, estamos no campo da sintaxe.
Em uma análise morfológica, procuramos saber se uma palavra é substantivo, adjetivo, pronome, verbo, advérbio, preposição, numeral, artigo, interjeição ou conjunção. Se desejamos saber se um substantivo, por exemplo, exerce a função de sujeito, objeto direto, objeto indireto, aposto, vocativo ou complemento nominal, estamos fazendo análise sintática.
Um mesmo substantivo pode exercer diferentes funções sintáticas:

A casa é bonita. (núcleo do sujeito)
Comprei uma casa. (núcleo do objeto direto)
Preciso de uma casa. (núcleo do objeto indireto)
O jardim da casa é maravilhoso. (Núcleo do adjunto adnominal)
Ela mora perto de casa. (núcleo do adjunto adverbial)
Tenho lembranças de casa. (núcleo do complemento nominal)
Seu quarto é uma verdadeira casa! (núcleo do predicativo do sujeito)

Podemos fazer a análise sintática dos termos de uma oração ou de um conjunto de orações. Oração - enunciado que se organiza em torno de um verbo.  Período - frase composta por uma ou mais orações.

Fonte: DELMANTO, Dileta; CASTRO,  Maria da Conceição. Português: ideias e linguagens. Saraiva, 2009.

INFÂNCIA - POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé.
Comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Fonte: FARACO & MOURA. Linguagem Nova. In: Obra Completa. Rio de Janeiro, 1967.

JOÃO BRASILEIRO, UM HIPÓCRITA

Morador de uma cidade grande, João Brasileiro engole diariamente a fumaça lançada no ar por automóveis e fábricas. Tossindo de raiva, acende o último cigarro e joga o maço pela janela do carro. No domingo de sol, leva os filhos a passear no parque e compra sorvetes para os garotos. Cada um, é claro, vai jogar o copinho ou papel por cima do ombro assim que degustar a "iguaria". Quando vai à praia, Brasileiro fica horrorizado com o mar sujo pelos esgostos e esbraveja enquanto toma um refrigerante e come uma espiga de milho, cujos vestígios ficarão repousando na areia quando ele sair de lá.
Brasileiro gosta muito de reclamar da poluição e da sujeira - dos outros. Em seu próprio rastro, que ele ignora, acumulam-se quilos e quilos de detritos - restos de alimentos, copos, latas, garrafas, papéis e toda sorte de objetos dos mais variados materiais e usos, atirados nas ruas, praias, estradas, parques, casas de espetáculo e por aí afora.

Fonte: FARACO & MOURA. Linguagem Nova. In: Superinteressante, maio 1989.

SUPERLETRADOS

SUPERLETRADOS
O BLOG DA GALERA DA ESCOLA