terça-feira, julho 03, 2012

ALGUMAS FÁBULAS

A QUEIXA DO PAVÃO
(adaptado de Esopo)


O Pavão veio queixar-se à deusa Juno. Queria saber por que razão o rouxinol havia de cantar melhor que ele.
- Não te preocupas - disse a deusa. - Tu não sabes cantar, é certo, mas tuas penas são tão formosas, cheias de olhos que parecem estrelas. Todos os animais invejam a tua beleza.
Porém ao pavão não restava consolo.
- Não me interessa a beleza, mais valera saber cantar - retrucou o pavão.
A que Juno retrucou irritada:
- Não podes querer ter de tudo. O rouxinol tem o canto, a águia tem a força e tu tens a formosura. Segura tua língua tola e contenta-se com tuas dádivas.
Moral: não discuta com a natureza.

Adaptado de Fábulas de Esopo. Tradução: Manuel Mendes da Vidigueira. São Paulo: Cultura, 1943.

O LEÃO E O RATO
(adaptado de Esopo)

Um rato foi passear sobre um leão adormecido. Quando este  acordou, pegou o rato. Já estava para devorá-lo quando o rato, em um gesto de desespero, pediu ao leão para que o deixasse ir embora:
- Se me poupares - disse o rato -, te serei útil.
E o leão,achando graça naquilo, soltou-o. Tempos depois o leão ficou preso em uma rede de caçadores. O rato ouviu seus rugidos de raiva, foi até lá, roeu as cordas e o libertou. E disse ao leão:
- Naquele dia zombaste de mim. Aprende então que até entre os ratos também se encontra gratidão.
Moral: uma boa ação ganha outra.

Adaptado de Esopo. Fábulas. Tradução: Antônio Carlos Vianna. Porto Alegre: L&PM, 2006.

O MENINO QUE GRITAVA LOBO!
(adaptado por Vivian French)
 
 Para começo de conversa, o menino gostava de cuidar de carneiros. Ele podia brincar o dia todo sem que ninguém o mandasse parar, ou que o mandasse ir dar comida às galinhas ou catar ovos ou cortar lenha. Ele tocava seu apito e dançava com os carneiros que saltitavam pela grama. Ele coçava a cabeça de seu cachorro e jogava gravetos para ele ir buscar. À noitinha, ele e seu cachorro guiavam o rebanho pelo morro para se encontrarem com os outros pastores. Então, deitavam-se juntos, ao lado da fogueira, para dormir.
Depois de um certo tempo, entretanto, o menino ficou entediado.
-Não vejo graça ficar aqui sozinho - ele resmungou. - Não tenho com quem falar. Ninguém liga para mim. Só o que esses carneiros fazem é mastigar, mastigar... - Ele tocou uma musiquinha triste na sua flauta. - Até mesmo os carneiros já estão crescidos demais para dançar. E não vejo nem sinal de uma raposa ou de um loboou de um grande urso marrom...
O menino parou e olhou para os carneiros que pastavam calmamente entre flores. Ele olhou para o seu cachorro que cochilava ao sol. Ele olhou para longe, para onde os outros pastores estavam sentados tranquilamente com seus rebanhos. Ele olhou para a pequena vila lá embaixo, no vale da montanha. Homens e mulheres e crianças moviam-se lentamente em seus afazeres.
- É tudo tão MONÓTONO - disse o menino. - Tão CHATO! - e de um salto, pôs-se de pé.
Os carneiros ergueram as cabeças. O cachorro abriu os olhos.
- LOOOOOOOOOOOOOOOBO! - Gritou o menino,o mais alto que pôde.
- LOOOOOOOOOOOOOOBO! - SOCORRO! SOCORRO! - e corria de um lado para o outro, em meio aos carneiros que também corriam para todo lado, apavorados.
- BEEEEEEEEEEÉ! - eles baliam. - BEEEEEEEEEÉ!
O cachorro latiu alto, e os pastores que estavam perto dali pegaram seus cajados e vieram correndo para ajudá-lo. Lá embaixo, na vila, todos largaram seus afazeres e correram morro acima.
- Onde está ele? - perguntaram. -Onde está o lobo? É grande? É feroz? Ele pegou algum carneiro?
O menino apoiou-se em seu cajado e disse:
- Eu o enxotei! Ele era enorme e cinzento e esfomeado, mas eu o enxotei!
Todos bateram palmas. Abraçaram o menino e fizeram muita festa. No dia seguinte, seu irmão mais velho veio ajudá-lo com o rebanho. Mas, depois, seu irmão voltou para a vila e o menino novamente só. Ele suspirou ao ver seu irmão descendo o morro.
- Isso foi divertido - ele falou.
O menino cuidou dos carneiros durante mais uma semana. Ele assobiava e atirava gravetos para seu cachorro pegar, mas não tinha vontade de brincar nem de dançar.
- É tão CHATO - ele falou, esfregando o nariz e pensando. - Hum - disse ele, olhando em volta. Havia pastores cuidando dos rebanhos, e o povo da vila trabalhando lá embaixo como sempre.
- LOOOOOOOOOOOOOOOBO! - gritou o menino, batendo palmas para espantar os carneiros que ficaram se empurrando e se trombando.
- LOOOOOOOOOOOOOOOBO!
Os carneiros batiam alto. O cachorro latiu. Os pastores vieram correndo. O povo da vila subiu esbaforido morro acima.
- Onde está ele? Onde está o lobo? - eles gritaram.
O menino sacudiu a cabeça.
- Ele deve ter se escondido quando ouviu vocês - disse.
O povo e os pastores se entreolharam e vários deles balançaram a cabeça. O menino foi abraçado e chamado de corajoso, mas ninguém ficou com ele. Logo ele estava novamente sozinho.
- Venha logo - ele chamou, zangado, seu cachorro. - Vamos arrebanhar os carneiros.
O menino cuidou dos carneiros durante mais três dias. Ele não tocou seu apito e quase não falou com seu cachorro.
- Carneiros são chatos - ele falou. - É tudo muito MONÓTONO.
O cachorro abanou o rabo, mas o menino nem notou.
- Vamos nos DIVERTIR -  ele falou, pondo-se de pé. - LOOOOOOOOOOBO! - ele gritou. - LOOOOOOOOOOOOBO!
Os carneiros nem se mexiam. O cachorro mlevantou-se lentamente, e alguns poucos pastores vieram correndo. Algumas pessoas da vila subiram o caminho, mas não pareceram surpresos quando o menino explicou que um lobo ENORME já havia desaparecido. Concordaram, abanando a cabeça e piscando uns para os outros, antes de retornarem às suas casa.
Naquela noite o céu estava carregado de nuvens escuras. O menino achou que estava na hora de levar seu rebanho para o outro lado do morro, quando de repente, o cachorro começou a rosnar. O menino olhou para ele, surpreso, e notou que seu pelo estava arrepiado.
- O que foi cachorro? - ele perguntou.
Os carneiros estavam irrequietos.
- BEEEEÉ! - eles baliam, ansiosamente. - BEEEEEÉ!
E aí o menino viu uma sombra cinzenta esqueirando-se, arrastando-se vagarosamente, chegando cada vez mais perto.
- LOOOOOOOOOOOOOOBO!  - ele berrou.
- LOOOOOOOOOOOOOOBO!
Não veio ninguém. O menino gritou novamente, e mais uma vez, e de novo. O cachorro rosnou uma última vez e depois, ganindo, fugiu com o rabo entre as pernas.
- LOOOOOOOOOOOOOOBO! - o menino gritou e berrou, mas, msmo assim, ninguém respondeu. Com um grito agudo, correu até a árvore mais próxima e subiu rapidamente.
O lobo deu um salto.
Na manhã seguinte, não havia sobrado nehum carneiro. Sóo menino, encarapitado na árvore. Quando os pastores vieram ver por que ele não fora juntar-se a eles na beira da fogueira na noite anterior,perceberam o que havia acontecido.
- Nunca mais vou gritar "lobo"! - soluçava o menino.
- É, não vai mesmo - disseram os pastores. E levaram-no de volta à vila,onde ele passou a dar de comer às galinhas, catar ovos e cortar lenha...e nunca mais teve tempo para brincar.

As fábulas ferinas de Esopo. Tradução: Gilda de Aquino. São Paulo: Brinque-Book, 1997.



FABULANDO

Nós, seres humanos, adoramos contar histórias uns para os outros há muitos e muitos anos. Contamos histórias de amor, histórias de terror, histórias de suspense, histórias fantásticas. Entre essas histórias que contamos estão também as fábulas, uma das narrativas mais antigas da humanidade.
A palavra fábula veio do verbo latino fabulare, que significa "conversar, narrar". Desde as suas origens, as fábulas foram transmitidas oralmente de pai para filho, de avó para neta, de amiga para amigo. São histórias que acontecem num tempo indefinido, bem distante de nós e que costumamos começar com expressões do tipo: " Em um belo dia de inverno..."; "Houve uma vez uma raposa...".
Talvez essas narrativas tradicionais orais tenham sido contadas numa roda,no final da tarde, enquanto homens e mulheres escutavam atentos e crianças brincavam. Talvez elas tenham sido contadas antes de as crianças dormirem, como ainda acontece hoje em dia. De qualquer modo, as fábulas existiram praticamente em todas as épocas e ainda hoje são contadas em muitas culturas.
Quase sempre curtas, essas histórias têm servido para ensinar o que é certo e errado, transmitir os valores éticos e morais das culturas e povos que as criaram. Elas servem de exemplo para todos os que escutam. Por isso, há sempre uma liçãozinha de moral escondida nelas, a tal da "moral da história". Às vezes, essa moral é explicitada ao final, como na famosa fábula da coruja e da águia: "Moral: quem ama o feio, bonito lhe parece". Outras vezes, a moral da fábula não está dita com todas as letras, mas, para o leitor esperto, é bem fácil descobri-la.
Ao longo dos anos, certas fábulas foram sofrendo algumas transformações. Ao serem narradas de geração em geração e, também, ao serem contadas a pessoas de diferentes regiões e de outras culturas, as fábulas foram lentamente se modificando. E até mesmo a moral da fábula pode sofrer alterações ap longo dos anos, dependendo de quem conta.

Clique aqui e saiba sobre a história das fábulas

Clique aqui e leia diversas fábulas 

REFERÊNCIAS

CAMPOS, João; NIGRO, Flávio; RODELLA, Gabriela. Português a Arte da Palavra. 6. ano. São Paulo: AJS, 2009, p. 56.

QUEM FOI ESOPO?

Na verdade, sabemos muito pouco da história de Esopo, que parece ter levado uma vida muito interessante no século VI antes de Cristo. Talvez ele tenha nascido na África, porque muitos dos animais que ele cita em suas fábulas são de origem africana. Dizem que ele era muito feio, deformado, e foi até escravo. Teria conseguido sua liberdade e viajou pelo mundo, conhecendo muitas culturas diferentes. Esopo, um criador de confusão, teria tido uma morte violenta: foi jogado de um penhasco pelos moradores enfurecidos da ilha de Delfos. Que vidinha fabulosa, não?!?


                          Grego Esopo

Clique aqui e conheça a história das fábulas

REFERÊNCIAS

CAMPOS, João; NIGRO, Flávio; RODELLA, Gabriela. Português a Arte da Palavra. 6. ano. São Paulo: AJS, 2009, p. 57.



A HISTÓRIA DAS FÁBULAS

As fábulas mais antigas que conhecemos começaram a ser contadas no Oriente, milhares de anos atrás. De onde hoje fica a Índia, elas migraram para a Pérsia e se espalharam pela Grécia Antiga.
O primeiro grande contador do Ocidente foi o grego ESOPO (século VI antes de Cristo). Aliás, Esopo não deixou nehuma fábula escrita, pois só as contava oralmente. Quem escreveu suas histórias foram outros autores, entre eles, seu grande admirador, o romano Fedro (que era escravo e viveu no século I antes de Cristo).
Durante a Idade Média, as fábulas gregas e romanas foram redescobertas. O famoso pintor Leonardo Da Vinci (1452-1519) se interessou muito por elas e as reescreveu em italiano. O escritor Jean de La Fontaine (1621-1695) obteve muito sucesso ao traduzi-las em versos para o francês. La Fontaine gostava tanto dessas histórias que até chegou a inventar suas próprias fábulas. Seus livros foram traduzidos para muitas outras línguas e suas fábulas ainda são contadas a muitas crianças.
Hoje em dia, vários autores utilizam esse formato para contar suas histórias, reescrevendo as fábulas tradicionais ou criando novas, às vezes, com morais completamente diferentes daquelas dos povos de milhares de anos atrás.

Clique aqui e leia diversas fábulas

REFERÊNCIAS

CAMPOS, João; NIGRO, Flávio; RODELLA, Gabriela. Português a Arte da Palavra. 6. ano. São Paulo: AJS, 2009, p. 56.

terça-feira, junho 26, 2012

CONTO: A Máquina Extraviada, de José J. Veiga



Você sempre pergunta pelas novidades daqui deste sertão, e finalmente posso lhe contar uma importante. Fique o compadre sabendo que agora temos aqui uma máquina imponente, que está entusiasmando todo o mundo. Desde que ela chegou - não me lembro quando, não sou muito bom em lembrar datas - quase não temos falado em outra coisa; e da maneira que o povo aqui se apaixona até pelos assuntos mais infantis, é de admirar que ninguém tenha brigado ainda por causa dela, a não ser os políticos. 

A máquina chegou uma tarde, quando as famílias estavam jantando ou acabando de jantar, e foi descarregada na frente da Prefeitura. Com os gritos dos choferes e seus ajudantes (a máquina veio em dois ou três caminhões) muita gente cancelou a sobremesa ou o café e foi ver que algazarra era aquela. Como geralmente acontece nessas ocasiões, os homens estavam mal-humorados e não quiseram dar explicações, esbarravam propositalmente nos curiosos, pisavam-lhes os pés e não pediam desculpa, jogavam pontas de cordas sujas de graxa por cima deles, quem não quisesse se sujar ou se machucar que saísse do caminho. 

Descarregadas as várias partes da máquina, foram elas cobertas com encerados e os homens entraram num botequim do largo para comer e beber. Muita gente se amontoou na porta, mas ninguém teve coragem de se aproximar dos estranhos porque um deles, percebendo essa intenção nos curiosos, de vez em quando enchia a boca de cerveja e esguichava na direção da porta. Atribuímos essa esquiva ao cansaço e à fome deles e deixamos as tentativas de aproximação para o dia seguinte; mas quando os procuramos de manhã cedo na pensão, soubemos que eles tinham montado mais ou menos a máquina durante a noite e viajado de madrugada.

A máquina ficou ao relento, sem que ninguém soubesse quem a encomendou nem para que servia. E claro que cada qual dava o seu palpite, e cada palpite era tão bom quanto outro. 

As crianças, que não são de respeitar mistério, como você sabe, trataram de aproveitar a novidade. Sem pedir licença a ninguém (e a quem iam pedir?), retiraram a lona e foram subindo em bando pela máquina acima - até hoje ainda sobem, brincam de esconder entre os cilindros e colunas, embaraçam-se nos dentes das engrenagens e fazem um berreiro dos diabos até que apareça alguém para soltá-las; não adiantam ralhos, castigos, pancadas; as crianças simplesmente se apaixonaram pela tal máquina.

Contrariando a opinião de certas pessoas que não quiseram se entusiasmar, e garantiram que em poucos dias a novidade passaria e a ferrugem tomaria conta do metal, o interesse do povo ainda não diminuiu. Ninguém passa pelo largo sem ainda parar diante da máquina, e de cada vez há um detalhe novo a notar. Até as velhinhas de igreja, que passam de madrugada e de noitinha, tossindo e rezando, viram o rosto para o lado da máquina e fazem uma curvatura discreta, só faltam se benzer. Homens abrutalhados, como aquele Clodoaldo seu conhecido, que se exibe derrubando boi pelos chifres no pátio do mercado, tratam a máquina com respeito; se um ou outro agarra uma alavanca e sacode com força, ou larga um pontapé numa das colunas, vê-se logo que são bravatas feitas por honra da firma, para manter fama de corajoso. 

Ninguém sabe mesmo quem encomendou a máquina. O prefeito jura que não foi ele, e diz que consultou o arquivo e nele não encontrou nenhum documento autorizando a transação. Mesmo assim não quis lavar as mãos, e de certa forma encampou a compra quando designou um funcionário para zelar pela máquina. 

Devemos reconhecer - aliás todos reconhecem - que esse funcionário tem dado boa conta do recado. A qualquer hora do dia, e às vezes também de noite, podemos vê-lo trepado lá por cima espanando cada vão, cada engrenagem, desaparecendo aqui para reaparecer ali, assoviando ou cantando, ativo e incansável. Duas vezes por semana ele aplica kaol nas partes de metal dourado, esfrega, sua, descansa, esfrega de novo - e a máquina fica faiscando como jóia.

Estamos tão habituados com a presença da máquina ali no largo, que se um dia ela desabasse, ou se alguém de outra cidade viesse buscá-la, provando com documentos que tinha direito, eu nem sei o que aconteceria, nem quero pensar. Ela é o nosso orgulho, e não pense que exagero. Ainda não sabemos para que ela serve, mas isso já não tem maior importância. Fique sabendo que temos recebido delegações de outras cidades, do estado e de fora, que vêm aqui para ver se conseguem comprá-la. Chegam como quem não quer nada, visitam o prefeito, elogiam a cidade, rodeiam, negaceiam, abrem o jogo: por quanto cederíamos a máquina. Felizmente o prefeito é de confiança e é esperto, não cai na conversa macia. 

Em todas as datas cívicas a máquina é agora uma parte importante das festividades. Você se lembra que antigamente os feriados eram comemorados no coreto ou no campo de futebol, mas hoje tudo se passa ao pé da máquina. Em tempo de eleição todos os candidatos querem fazer seus comícios à sombra dela, e como isso não é possível, alguém tem de sobrar, nem todos se conformam e sempre surgem conflitos. Felizmente a máquina ainda não foi danificada nesses esparramos, e espero que não seja. 

A única pessoa que ainda não rendeu homenagem à máquina é o vigário, mas você sabe como ele é ranzinza, e hoje mais ainda, com a idade. Em todo caso, ainda não tentou nada contra ela, e ai dele. Enquanto ficar nas censuras veladas, vamos tolerando; é um direito que ele tem. Sei que ele andou falando em castigo, mas ninguém se impressionou. 

Até agora o único acidente de certa gravidade que tivemos foi quando um caixeiro da loja do velho Adudes (aquele velhinho espigado que passa brilhantina no bigode, se lembra?) prendeu a perna numa engrenagem da máquina, isso por culpa dele mesmo. O rapaz andou bebendo em uma serenata, e em vez de ir para casa achou de dormir em cima da máquina. Não se sabe como, ele subiu à plataforma mais alta, de madrugada rolou de lá, caiu em cima de uma engrenagem e com o peso acionou as rodas. Os gritos acordaram a cidade, correu gente para verificar a causa, foi preciso arranjar uns barrotes e alavancas para desandar as rodas que estavam mordendo a perna do rapaz. Também dessa vez a máquina nada sofreu, felizmente. Sem a perna e sem o emprego, o imprudente rapaz ajuda na conservação da máquina, cuidando das partes mais baixas.

Já existe aqui um movimento para declarar a máquina monumento municipal - por enquanto. O vigário, como sempre, está contra; quer sabe a que seria dedicado o monumento. Você já viu que homem mais azedo?

Dizem que a máquina já tem feito até milagre, mas isso - aqui para nós - eu acho que é exagero de gente supersticiosa, e prefiro não ficar falando no assunto. Eu - e creio que também a grande maioria dos munícipes - não espero dela nada em particular; para mim basta que ela fique onde está, nos alegrando, nos inspirando, nos consolando.

O meu receio é que, quando menos esperarmos, desembarque aqui um moço de fora, desses despachados, que entendem de tudo, olhe a máquina por fora, por dentro, pense um pouco e comece a explicar a finalidade dela, e para mostrar que é habilidoso (eles são sempre muito habilidosos), peça na garagem um jogo de ferramentas, e sem ligar a nossos protestos se meta por baixo da máquina e desande a apertar, martelar, engatar, e a máquina comece a trabalhar. Se isso acontecer, estará quebrado o encanto e não existirá mais máquina.


Ob
s. A finalidade da publicação deste conto, neste site, é totalmente para fins educativos.

domingo, junho 17, 2012

REVISÃO DE CONTEÚDOS PARA A PROVA DE EXAME - 1º PEDAGOGIA

Olá! Olá!... Sejam bem-vindos ao portal do conhecimento. Abaixo, estão relacionados os conteúdos para a prova de exame, 1º período de Pedagogia. Cliquem nos tópicos e ampliem seus conhecimentos sobre os conteúdos. Também, não deixem de praticar as atividades.


VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS : DIATÓPICAS, DIASTRÁTICAS e DIAFÁSICAS

LINGUAGEM DENOTATIVA E LINGUAGEM CONOTATIVA

PROBLEMAS MAIS COMUNS DE COMUNICAÇÃO

TEORIA DA COMUNICAÇÃO
RUÍDO NA COMUNICAÇÃO

FUNÇÕES DE LINGUAGEM

VÍCIOS DE LINGUAGEM

COMO LER E INTERPRETAR O TEXTO (1)

COMO LER E INTERPRETAR O TEXTO (2)

TIPOLOGIAS TEXTUAIS (1)

TIPOLOGIAS TEXTUAIS (2)

Atividades (1) de revisão para prova de exame CLIQUE AQUI. (só abre com o Internet Explorer)
Atividades (2) de revisão para prova de exame CLIQUE AQUI. (só abre com o Internet Explorer)


APOSTILA ELEMENTOS DA TEORIA DA COMUNICAÇÃO


REVISÃO DE CONTEÚDOS PARA A PROVA DE EXAME - 1° LETRAS

Olá! Olá!... Sejam bem-vindos ao portal do conhecimento. Abaixo, estão relacionados os conteúdos para a prova de exame, 1º período de Letras. Cliquem nos tópicos e ampliem seus conhecimentos sobre os conteúdos. Também, não deixem de praticar as atividades, é só clicar aqui. (só abre com o Internet Explorer)


DIFERENÇAS ENTRE LATIM CLÁSSICO E LATIM VULGAR

VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS : DIATÓPICAS, DIASTRÁTICAS e DIAFÁSICAS

LINGUAGEM DENOTATIVA E LINGUAGEM CONOTATIVA

TEORIA DA COMUNICAÇÃO

RUÍDO NA COMUNICAÇÃO

FUNÇÕES DE LINGUAGEM

VÍCIOS DE LINGUAGEM

Atividades de revisão para prova de exame CLIQUE AQUI. (só abre com o Internet Explorer)

APOSTILA ELEMENTOS DA TEORIA DA COMUNICAÇÃO

quinta-feira, junho 14, 2012

SUBSTANTIVOS, PALAVRAS QUE DÃO NOMES...

São substantivos as palavras que dão nomes a: pessoas (Paula, José, Marcos); profissões (professora, advogado, médico); animais (gato, macaco, elefante); lugares (colégio, São Paulo, Rondônia); seres reais (casa, planta, flores); seres imaginários (fantasma, saci, fada); coisas inanimadas (pedra, mesa, cadeira) e palavras que expressam: sentimentos (ciúme, inveja, felicidade); estados de espírito (arrependimento, remors) e ações (rompimento, compreensão).

SUBSTANTIVOS COMUNS: designam seres da mesma espécie. São escritos com letras minúsculas.
Exemplos:
A menina só tem dez anos.
O gato fugiu e ninguém viu.

SUBSTANTIVOS PRÓPRIOS: designam um indivíduo particular, específico. São escritos com letras maiúsculas.
Exemplos:
Eu moro no município de Cacoal.
Pedro é um garoto muito esperto.

SUBSTANTIVOS SIMPLES: formados por um só radical.
Exemplos:
A vida é bela.
Meu cachorro é preto com manchas brancas.

SUBSTANTIVOS COMPOSTOS: formados por mais de um radical.
Exemplos:
O Homem-aranha é um herói dos quadrinhos.
Ficar com você só foi um passatempo.

SUBSTANTIVOS CONCRETOS: designam seres de existência real ou criados pela imaginação.
Exemplos:
Você assistiu ao filme do vampiro?.
Salve o planeta, evite o desperdício d'água.

SUBSTANTIVOS ABSTRATOS: designam qualidades, sentimentos, ações ou estados dos seres sem quais não poderiam existir.
Exemplos:
Não tenha ódio, tenha amor.
A saudade é um prego e o coração é um martelo.

SUBSTANTIVOS PRIMITIVOS: não derivam de nenhuma outra palavra da língua portuguesa.
Exemplos:
O ferro é um metal?
Marcelo ainda tem dente de leite.

SUBSTANTIVOS DERIVADOS: derivam de outra palavra da língua portuguesa.
Exemplos:
Já comprei a ferragem.
José Carlos é um dentista renomado.

SUBSTANTIVOS COLETIVOS: designam uma coleção de seres da mesma espécie.
Exemplos:
A multidão estava agitada. (de pessoas)
A biblioteca da escola ficou fechada durante toda a manhã. (de livros)

REFERÊNCIAS

DELMANTO, Dileta; CASTRO, Maria da Conceição. Português: ideias & linguagens. São Paulo: Saraiva, 2009.
PIMENTEL, Carlos. Português descomplicado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

Teste seus conhecimentos sobre os substantivos. Clique aqui.

Outras atividades sobre os substantivos. Clique aqui.


Prof. Elisandro Félix de Lima



SINGULAR E PLURAL

Os nomes podem estar no singular ou no plural.
O nome em singular indica um só elemento.
O nome plural indica mais de um elemento.

O jeito mais comum para se formar o plural é acrescentar um s.
Existem outras maneiras para se formar o pural.

1. Nos nomes terminados em r, s, z, acrescenta-se es.

colher - colheres
gás - gases
giz - gises


2.Nos nomes terminados em ão trocam o ão por ões, ãos ou ães.

pião - piões
pão - pães

3.O nomes terminados em m trocam o m por ns.

homem - homens

4. os nomes terminados em al, el,ol, ul trocam o l por is.

anel - anéis
farol - faróis
material - materiais

CLIQUE AQUI E FAÇA AS ATIVIDADES

Referências:

http://www.colegioweb.com.br/portugues-infantil/singular-e-plural.html


Este material foi organizado pelo professor Elisandro Félix de Lima, porém, todo o conteúdo é de autoria do site colégio web.

terça-feira, junho 12, 2012

COMPETÊNCIAS LINGUÍSTICAS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS

Olá Acadêmicos do curso de Pedagogia da UNESC, 1º período. Segue material para estudos.


Clique no ícone dentro da imagem.



Clique em file ou arquivo / fazer download.


sexta-feira, junho 08, 2012

ADVÉRBIOS E LOCUÇÕES ADVERBIAIS

O advérbio é a palavra invariável que modifica o sentido do verbo, do adjetivo e do próprio advérbio.

CLASSIFICAÇÃO DOS ADVÉRBIOS

de afirmação: sim, certamente, efetivamente, realmente etc.
Exemplos:
Ele certamente sabe o que faz.
Nós iremos à festa, sim.
Estou realmente cansado.

de dúvida: talvez, quiça, possivelmente, provavelmente, porventura etc.
Exemplos:
Talvez chova no carnaval.
Possivelmente chegaremos tarde.
Eles provavelmente virão.

de intensidade: muito, pouco, bastante, mais, menos, demais, quanto, quase, tanto, tão etc.
Exemplos:
Choveu muito durante a noite.
Eles estavam bastante cansados.
Quero mais refrigerante e menos bebida alcoólica.

de lugar: aqui, lá, acolá, acima, dentro, fora, abaixo, adiante, aí, além, ali, aquém, atrás, cá, defronte, longe, perto, onde etc.
Exemplos:
Ele morava aqui.
Encontrei-o .
O sapo estava dentro da caixa.

de tempo: agora, já, hoje, amanhã, cedo, tarde, ainda, anteontem, antes, breve, cedo, depois, então, jamais, logo, nunca, outrora, sempre etc.
Exemplos:
Quero ver o diretor agora.
Amanhã será tarde demais.
Sempre estarei contigo.

de modo: assim, bem, mal, depressa, devagar, felizmente, solitariamente, debalde, melhor, pior, fielmente, levemente etc.
Exemplos:
Tudo correu bem.
Ele passou mal durante o jantar.
Vivia a vida solitariamente.

de negação: não, nunca, tampouco etc.
Exemplos:
Não aceito suas desculpas.
Não aceito as suas desculpas e tampouco quero vê-la novamente.
Nunca direi não a você.

LOCUÇÕES ADVERBIAIS

São duas mou mais palavras atuando com o valor de um advérbio.
Exemplos:
Ele morreu de fome. (de causa)
Comeu carne com as mão. (de instrumento)
Conversamos sobre namoro. (de assunto)
Sairei com meus amigos. (de companhia)
Voltaram apesar da chuva. (de concessão)
Só viajará com permissão da mãe. (de condição)
Fez os trabalhos conforme as instruções. (de conformidade)
Preparou-se para a festa. (de finalidade)
Viajou de ônibus. (de meio)

REFERÊNCIAS

PIMENTEL, Carlos. Português descomplicado. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.
CUNHA, Celso; LINDLEY CINTRA; Luís F. Nova Gramática do português contemporâneo. 5. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.  

Prof. Elisandro Félix de Lima

O LEÃO E O RATO

 Estava um rato prestes a ser devorado por um gato faminto quando um leão que passava por perto, comovido com seu desespero, espantou o gato pra longe. Refeito do susto, o ratinho agradeceu:
     - Muito obrigado por salvar minha vida, majestade. O senhor é o rei das florestas e não precisaria se incomodar com um ser tão isignificante como eu. Mas um dia eu hei de lhe retribuir este favor.
     O leão, que não havia feito aquilo pensando em recompensa, seguiu o seu caminho:
     - Pobre ratinho, como poderia ele retribuir um favor ao rei dos animais?
     No dia seguinte, o leão estava andando distraído quando pisou numa rede estendida para aprisioná-lo. Assim que pôs a pata na armadilha, a rede se fechou sobre o seu corpo.
     - Ai de mim. Ficarei aqui a noite inteira até que cheguem os caçadores e me matem sem dó nem piedade.
     Eis que pela estrada vem passando o ratinho seu amigo. Ao ver o leão naquela situação, prontificou-se no mesmo instante:
     - É já que vou retribuir o favor que você me fez.
       E pôs-se a roer as cordas até livrar o leão da rede dos caçadores.

Fábulas de Esopo. Adapt. de Ivana Arruda Leite. São Paulo: Escala Educacional. 2004.

Você pode responder 10 questões sobre este texto: Acesse http://www.daypo.net/ Leitura e Interpretação de texto (fábula) O Leão e o Rato.




quinta-feira, março 01, 2012

TARSILA DO AMARAL 1886-1973

TARSILA DO AMARAL

Tarsila do Amaral (1886 - 1973) Tarsila do Amaral nasceu em São Paulo. Foi uma das principais figuras do Movimento Modernista Brasileiro, mas não participou da 'Semana de Arte Moderna de 1922', estava na Europa estudando. Fez parte do 'Grupo dos Cinco' do qual fazia parte, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Pichia, Anita Malfatti.

Quadro 'Antropofagia'

Quadro 'Operários'

Quadro 'Religião Brasileira'

 
Quadro 'Abaporu'

Quadro 'A Feira'



Quadros, Obras de Tarsila do Amaral:

A Feira
A gare
A Negra
A Lua
Abaporu
Anjos
Antropofagia
Auto-Retrato
Carnaval em Madureira
Cartão Postal
Chapéu Azul
Coração de Jesus
EFCB
Estudo (Nú)
Manacá
Manteau Rouge
Morro da Favela
O Lago
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Site oficial Tarsila do amaral , com o catálogo de toda a obra de Tarsila e sua biografia
Arte que Encanta - Tarsila do Amaral.

REFERÊNCIA

CRUZ, Beth C. Os Grandes Pintores do Modernismo Brasileiro. http://bethccruz.blogspot.com/2008/11/os-grandes-pintores-do-modernismo.html. 2008.


segunda-feira, fevereiro 27, 2012

COMO UMA ONDA

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas, como um mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo o mundo
Não adianta fugir,
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
E aqui dentro sempre

Como uma onda no mar

SANTOS, Lulu & Mota, Nelson. Como uma onda. In: SANTOS, Lulu. CD O último romântico. BMG Ariola 255157-2, 1987.

A letra da música trata do tempo. Observemos abaixo alguns ditos populares que também se refrem ao tempo:

"O tempo é o melhor remédio".
"Na vida, tudo passa!"
"Tudo tem seu tempo."
"Nada como um dia depois do outro."

Uma coisa interessante nessa música é o título "como uma onda", qual será a relação entre o tempo e as ondas do mar?

quinta-feira, abril 05, 2007

DATA 05/04/2007. POESIA: O POR DO SOL

Autora: Lena Casas Novas


O POR DO SOL

No oeste do horizonte ele se vai
Imaginamos que ele tem forma de caracol
Vai dizendo até amanhã, até mais
Que maravilha é o pôr do sol!

Casal em clima romântico
A pescaria ao entardecer, isca no anzol
A serenata, a poesia, o cântico
Inspirados no pôr do sol!

Pela manhã, apaga-se o farol
Ele surge, trabalha o dia inteiro
No início da noite, começa o pôr do sol!

A flor que o vigia, é o girassol
Têm lugares que ninguém o vê
Não quero morrer, sem ver o pôr do sol!

E-mail da Autora: lenatina_1@hotmail.com

fonte da poesia: http://www.poesiasemensagens.com.br/lena/pordosol/pordosol.htm

UMA RUA CHAMADA ENCANTO - ALCIONE

UMA RUA CHAMADA "ENCANTO" -  POR ALCIONE

Terra úmida, barro vermelho.
Árvore, muitas. Grandes, pequenas, frutíferas ou não.
Pinheiros, floresta fechada.
Mato, bichos.
Flores, cerca viva, cheia de vida.Cores, azul-cinza do céu, verde das árvores, marrom-avermelhado do lago e da terra, branco, amarelo, azul, rosa e vermelho das flores.
Perfume doce-flores. Cheiro de pinho-pinheiro, cheiro de mato.
Chuva, pingos refrescantes escorrendo pela face.
Alegria das borboletas, banho dos pássaros.
O beija-flor mirando um lírio, imaginando o seu doce.
Lindo, belo, o momento de toque do beija-flor, impacto da flor, pingos no chão.
Asas em movimento.
Um pedaço de sonho, que passa rápido...
Pernilongos, moscas e percevejos.
Peixes vem à tona respirar. As garças aproveitam para almoçar.
O cantar de pássaros, o silenciar do progresso.
Lugar longe, longe de tudo e de todos. Colorido e bonito. Vazio.
Eu, prioridade. Poder de apreciar e desfrutar.
Caminho curto, poça d´'água grande, pé molhado e sujo. paz. Não à violência.
Saudade de casa, amparo da natureza.
Pingos no lago. Fim da rua.
Fim do sonho; caminho de casa.

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